Sob o lema «Paisagens Costeiras e Marinhas – Integrar Ecossistemas, Pessoas e Cultura», o maior encontro africano de Fundos de Conservação reúne em Bissau representantes de 23 países para discutir o financiamento sustentável da biodiversidade.
Durante cinco dias, a Assembleia vai reunir Fundos Fiduciários de Conservação, parceiros de desenvolvimento, doadores, investidores de impacto, instituições públicas e especialistas em conservação de todo o continente.
O destaque do programa é a deslocação nos dias 1 e 2 de outubro ao Arquipélago dos Bijagós, incluindo o Parque Nacional de Orango, para contacto direto com os ecossistemas costeiros e marinhos e com as comunidades que deles dependem.
Uma rede de 650 milhões de dólares
Criado em 2011, o CAFÉ é hoje a maior rede africana de Fundos Ambientais. Está presente em 23 países, gere mais de 650 milhões de dólares em dotações e apoia mais de 90 parques e reservas em África.
A realização da assembleia em Bissau dá visibilidade internacional ao património natural excecional da Guiné-Bissau - mangais, zonas húmidas, estuários e Bijagós - e reforça o seu papel no diálogo africano sobre conservação.
Ao usar de palavra na cerimonia inaugural Charlotte Said, Presidente da Fundação BioGuiné foi direto ao problema central: "Sabemos que um dos principais obstáculos a uma conservação eficaz continua a ser o défice de financiamento. Em África, entre 88% e 94% das áreas protegidas dispunham de financiamento insuficiente." Para a presidente, o problema não é só a quantidade de dinheiro, mas a sua previsibilidade.
"As áreas protegidas não podem ser geridas de forma eficaz segundo ciclos de financiamento de dois ou três anos. A fiscalização, a restauração dos ecossistemas e o acompanhamento das comunidades exigem continuidade."
E deixou um recado: "A mobilização de financiamento internacional é essencial, mas não pode substituir um compromisso público nacional sólido e duradouro".
Já a representante do Banco Mundial no país Rosa Brito, destacou a importância da Guiné-Bissau na conservação:
"O país abriga um dos maiores ecossistemas de mangais da África Ocidental, e o Arquipélago dos Bijagós, Reserva da Biosfera da UNESCO, é uma das zonas costeiras de maior importância ecológica do continente."
Rosa Brito anunciou que o espírito de cooperação regional está concretizado no país através do WACA ResIP 2, com 30 milhões de dólares de financiamento da Associação Internacional de Desenvolvimento, para reforçar a gestão das áreas protegidas costeiras e apoiar meios de subsistência mais resilientes. Apontou também para o futuro: conversões de dívida em favor da natureza, obrigações azuis e créditos de biodiversidade como novas formas de mobilizar capital privado.
Por seu turno o presidente de CAFÉ Théophile, Zognou afirmou num bom frances que "a natureza não é um cenário do desenvolvimento. Ela é o fundamento sobre o qual assenta o desenvolvimento."
Lembrou que o défice global de financiamento para a biodiversidade é de 700 mil milhões de dólares por ano e que é preciso mobilizar pelo menos 200 mil milhões até 2030.
"Quando financiamos a natureza, financiamos a resiliência. Quando protegemos os ecossistemas, protegemos os meios de subsistência. Quando investimos nas comunidades, investimos na conservação."
E terminou com um apelo:
"A África não deve ser vista apenas como beneficiária do financiamento da conservação, mas como parceira, inovadora e líder."
A 16ª Assembleia do CAFÉ promete assim deixar Bissau não só como anfitriã, mas como exemplo de como integrar ecossistemas, pessoas e cultura.





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