terça-feira, 29 de setembro de 2026

Bissau capital africana da conservação: Guiné-Bissau acolhe 16ª Assembleia Geral do CAFÉ

Sob o lema «Paisagens Costeiras e Marinhas – Integrar Ecossistemas, Pessoas e Cultura», o maior encontro africano de Fundos de Conservação reúne em Bissau representantes de 23 países para discutir o financiamento sustentável da biodiversidade. 

 
A Guiné-Bissau marca mais um passo na história da conservação africana. De 28 de setembro a 2 de outubro de 2026, o país acolhe pela primeira vez a 16.ª Assembleia Geral do Consortium of African Funds for the Environment (CAFÉ) tem como anfitrião a Fundação BioGuiné, que foi escolhida na última assembleia em Kinshasa (2025) e eleita para o Comité Executivo do CAFÉ.

Durante cinco dias, a Assembleia vai reunir Fundos Fiduciários de Conservação, parceiros de desenvolvimento, doadores, investidores de impacto, instituições públicas e especialistas em conservação de todo o continente. 

O destaque do programa é a deslocação nos dias 1 e 2 de outubro ao Arquipélago dos Bijagós, incluindo o Parque Nacional de Orango, para contacto direto com os ecossistemas costeiros e marinhos e com as comunidades que deles dependem.

Uma rede de 650 milhões de dólares 

Criado em 2011, o CAFÉ é hoje a maior rede africana de Fundos Ambientais. Está presente em 23 países, gere mais de 650 milhões de dólares em dotações e apoia mais de 90 parques e reservas em África. 

A realização da assembleia em Bissau dá visibilidade internacional ao património natural excecional da Guiné-Bissau - mangais, zonas húmidas, estuários e Bijagós - e reforça o seu papel no diálogo africano sobre conservação.

Ao usar de palavra na cerimonia inaugural Charlotte Said, Presidente da Fundação BioGuiné foi direto ao problema central: "Sabemos que um dos principais obstáculos a uma conservação eficaz continua a ser o défice de financiamento. Em África, entre 88% e 94% das áreas protegidas dispunham de financiamento insuficiente." Para a presidente, o problema não é só a quantidade de dinheiro, mas a sua previsibilidade. 

"As áreas protegidas não podem ser geridas de forma eficaz segundo ciclos de financiamento de dois ou três anos. A fiscalização, a restauração dos ecossistemas e o acompanhamento das comunidades exigem continuidade." 

E deixou um recado: "A mobilização de financiamento internacional é essencial, mas não pode substituir um compromisso público nacional sólido e duradouro". 

Já a representante do Banco Mundial no país Rosa Brito, destacou a importância da Guiné-Bissau na conservação: 

"O país abriga um dos maiores ecossistemas de mangais da África Ocidental, e o Arquipélago dos Bijagós, Reserva da Biosfera da UNESCO, é uma das zonas costeiras de maior importância ecológica do continente." 

Rosa Brito anunciou que o espírito de cooperação regional está concretizado no país através do WACA ResIP 2, com 30 milhões de dólares de financiamento da Associação Internacional de Desenvolvimento, para reforçar a gestão das áreas protegidas costeiras e apoiar meios de subsistência mais resilientes. Apontou também para o futuro: conversões de dívida em favor da natureza, obrigações azuis e créditos de biodiversidade como novas formas de mobilizar capital privado.

Por seu turno o presidente de CAFÉ Théophile, Zognou afirmou num bom frances que "a natureza não é um cenário do desenvolvimento. Ela é o fundamento sobre o qual assenta o desenvolvimento."

Lembrou que o défice global de financiamento para a biodiversidade é de 700 mil milhões de dólares por ano e que é preciso mobilizar pelo menos 200 mil milhões até 2030.

"Quando financiamos a natureza, financiamos a resiliência. Quando protegemos os ecossistemas, protegemos os meios de subsistência. Quando investimos nas comunidades, investimos na conservação." 

E terminou com um apelo: 

"A África não deve ser vista apenas como beneficiária do financiamento da conservação, mas como parceira, inovadora e líder." 

A 16ª Assembleia do CAFÉ promete assim deixar Bissau não só como anfitriã, mas como exemplo de como integrar ecossistemas, pessoas e cultura.


quinta-feira, 17 de setembro de 2026

DG DA RÁDIO ALTERNAG REPRESENTA REDE LUSO-GUINEENSE NO CONGRESSO INTERNACIONAL CONIÚNICA

A Rede Luso-Guineense (Rede Luso-GB) participou no CONGRESSO INTERDISCIPLINAR INTERNACIONAL - CONIÚNICA, realizado de 08 a 11 de setembro de 2026 em formato híbrido, no âmbito do acordo de cooperação institucional entre a UniÚnica e a Rede Luso-GB.

A instituição foi representada por Amadú Tidjane Sal, Director-Geral da Rádio Alternag, membro da Rede Luso-GB, Polo de Competência em Agroecologia, (ODZH) Embaixador Lixo Zero na Guiné-Bissau e membro do observatório de mídia para pesca sustentável e economia azul na África.

Para além da participação nos trabalhos do congresso, Amadú Tidjane Sal teve o privilégio de apresentar comunicação oral no GT 4 – Meio Ambiente, Sustentabilidade e Mudanças Climáticas, com o tema “EDUCAÇÃO AMBIENTAL E RESILIÊNCIA CLIMÁTICA NA GUINÉ-BISSAU: LITERACIA CLIMÁTICA, AGROECOLOGIA E PROTEÇÃO DE ECOSSISTEMAS”.

O trabalho defende que a literacia climática, a agroecologia e a proteção de mangais, bolanhas e florestas são pilares para a resiliência do país face à crise climática, propondo uma educação ambiental ancorada na rádio comunitária, nas línguas nacionais e nos saberes locais.

Esta participação reforça o compromisso da Rede Luso-GB em projetar quadros guineenses e levar soluções locais para o debate científico global.


Bissau, 17 de setembro de 2026

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Marco Histórico nas Telecomunicações do país: Comité Ad Hoc Valida Primeiros Estudos de Impacto Ambiental da Orange Bissau.

É a primeira vez que o setor cumpre as exigências da Lei de Avaliação de Impacto Ambiental desde 2010. Projetos abrangem antenas radioelétricas e expansão de internet de alta velocidade por fibra ótica (FTTH).

 Publicado por: Redação Ambiente GB  |  📍 Bissau  |  📅 1 de Agosto de 2026

 

Realizou-se esta sexta-feira, 31 de julho, a sessão do Comité ad hoc responsável pela análise e validação de dois estudos ambientais e sociais estratégicos promovidos pela operadora Orange Bissau. O encontro marca um avanço inédito no cumprimento das normas de sustentabilidade ambiental e regulação do setor de telecomunicações na Guiné-Bissau.

Estudos de Elevada Relevância Estratégica

Durante a reunião, foram apresentados e submetidos a avaliação rigorosa os resultados de dois documentos vitais para a expansão e modernização das infraestruturas de comunicação do país:

• Estudo de Gestão Ambiental e Social das Infraestruturas de Transmissão Radioelétrica: Focado na instalação, operação e mitigação de impactos das antenas de comunicação;

• Estudo de Gestão Ambiental e Social do Projeto FTTH (Fiber to the Home): Destinado a disciplinar a expansão da rede de internet de alta velocidade por fibra ótica diretamente para residências e empresas.

A validação destes estudos constitui um marco histórico para a Guiné-Bissau. Trata-se da primeira vez que são efetivamente realizados e aprovados estudos de avaliação de impacto ambiental no setor das telecomunicações desde a promulgação da Lei n.º 10/2010, de 24 de setembro, que estabelece o regime jurídico da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) no país.

Reações e Compromisso com a Conformidade Legal

Após a aprovação formal dos documentos, Emanuel Pinto Lopes, Chefe de Serviços Regulamentares da Orange Bissau, concedeu declarações ao órgão Ambiente GB. O responsável expressou grande satisfação com os resultados alcançados e enalteceu o empenho da operadora em atuar em estrita conformidade com a legislação ambiental vigente no país.

“A aprovação destes estudos demonstra o compromisso firme da Orange Bissau em operar alinhada com as exigências legais e com os mais altos padrões de sustentabilidade ambiental.” — Emanuel Pinto Lopes, Chefe de Serviços Regulamentares



Por sua vez, Welenam da Silva, Director Geral da Autoridade de Avaliação Ambiental Competente (AAAC / 3AC), garantiu que o órgão regulador manterá uma colaboração contínua com a operadora para monitorizar e mitigar eventuais impactos ambientais. O diretor ressaltou ainda a atitude proativa e a total disponibilidade demonstrada pela própria Orange Bissau para colaborar de forma transparente com as autoridades ambientalistas.





📌 Resumo dos Destaques:

• Evento: Reunião do Comité Ad Hoc para Validação Ambiental

• Promotora: Orange Bissau

• Órgão Regulador: Autoridade de Avaliação Ambiental Competente (AAAC / 3AC)

• Legislação de Referência: Lei n.º 10/2010 de 24 de Setembro (Regime Jurídico da AIA)

• Áreas Cobertas: Infraestruturas de Antenas Radioelétricas e Expansão da Fibra Ótica Residencial (FTTH)

 

 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Projeto ReLiMa de Combate ao Lixo Marinho É Lançado na Guiné-Bissau pela ONG Tiniguena para Proteger Ecossistemas Insulares.

 Executada pela ONG Tiniguena e financiada pela Alemanha, a iniciativa sub-regional abrange a Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe ao longo de cinco anos. 

O acúmulo de resíduos plásticos e poluição nas zonas insulares e costeiras da Guiné-Bissau representa uma ameaça direta e grave para os ecossistemas marinhos do país. A alertar para a dimensão do problema, a ONG Tiniguena - Esta Terra é Nossa realizou nesta terça-feira, 28 de julho de 2026, o workshop de arranque do projeto sub-regional ReLiMa (Redução de Lixo Marinho), uma iniciativa com duração de cinco anos orientada para o combate à poluição no oceano.

“A quantidade de resíduos que chega às zonas insulares da Guiné-Bissau representa uma ameaça séria para os ecossistemas marinhos e costeiros do país. O combate à poluição marinha exige uma ação conjunta e permanente entre todos os setores da sociedade.”

              — Erikson Mendonça, Coordenador de Programa da ONG Tiniguena

Ação Conjunta e Modelos Sustentáveis de Gestão

Em declarações aos jornalistas à margem da abertura do encontro, Erikson Mendonça sublinhou que a eficácia na gestão de resíduos e na proteção das águas marinhas depende do reforço do diálogo contínuo entre instituições públicas, organizações da sociedade civil, comunidades locais e demais atores do setor.

Financiado pelo Ministério Federal da Alemanha, o projeto ReLiMa é uma iniciativa sub-regional desenvolvida em três Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS) da África Lusófona: Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. O objetivo central ao longo dos seus cinco anos de execução é estabelecer modelos sustentáveis de prevenção, recuperação e reciclagem de resíduos marinhos.

Compromisso Governamental com a Preservação

Presente na cerimónia em representação do Ministério do Ambiente e Ação Climática, Per Infali Cassamá reafirmou o total empenho e apoio do Governo guineense às ações voltadas para a conservação da biodiversidade marinha e restauração do ambiente costeiro.

O responsável destacou que o projeto ReLiMa surge como uma resposta estratégica e oportuna, não só para diminuir o impacto direto dos detritos no ecossistema aquático, mas também para promover a capacitação e sensibilização contínua das comunidades insulares, assegurando a sustentabilidade dos recursos naturais para o futuro da nação. 



fotografias cortesia da ONG Tiniguena,

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Resiliência nas Zonas Húmidas: Programa W4R Reúne Atores Locais para Proteger a Paisagem Jeta–Pecixe–Cacheu

Iniciativa global da Wetlands Internacional apoia o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar e a economia azul através de um workshop participativo de planeamento integrado.

 Reportagem: Equipa Editorial «O Ambiente GB»  |  📍 Guiné-Bissau  |  🌿 Parceria: Wetlands Internacional & Sida Global.

foto O Ambiente GB em maré baixa

Nas zonas costeiras e estuarinas da Guiné-Bissau, a preservação do meio ambiente é indissociável da sobrevivência e do bem-estar das populações locais. É neste cenário de grande riqueza ecológica e vulnerabilidade climática que se consolida o programa internacional Wetlands for Resilience (W4R), uma iniciativa global liderada pela Wetlands Internacional com o apoio financeiro da Sida Global.

Uma Visão Global com Ação Local em Jeta–Pecixe–Cacheu

Com uma meta ambiciosa traçada até 2030, o programa W4R decorre em três países estratégicos de África e da Ásia. O grande propósito é expandir paisagens de zonas húmidas saudáveis, bem geridas e biodiversas, impulsionando a resiliência climática e a sustentabilidade ambiental, social e económica. A primeira fase operacional da iniciativa decorre entre 2023 e 2026.

Em território guineense, as atenções do programa centram-se na emblemática Paisagem Jeta–Pecixe–Cacheu (JPC). Nesta região, o W4R apoia a criação e consolidação de uma Parceria Paisagística focada em fortalecer a segurança alimentar, dinamizar uma economia azul resiliente e implementar ações concretas de restauração ecológica dos meios de subsistência comunitários.

“O W4R atua como um catalisador de boas práticas: une líderes sectoriais, autoridades regionais e tradicionais numa abordagem integrada que transforma a gestão ambiental em segurança e prosperidade para as comunidades.”

Workshop Interativo: Da Visão Comum à Ação Concreta

Como passo decisivo na construção dessa visão partilhada, a Wetlands Internacional promove um workshop interativo de dois dias inteiramente dedicado à abordagem de paisagem. O encontro juntou os principais atores da região de Jeta–Pecixe–Cacheu e contou com a facilitação técnica especializada de peritos do Escritório Global da Wetlands Internacional.

🎯 Objetivos Estratégicos do Encontro:

• Compreensão Partilhada: Fortalecer a aplicação prática do Toolkit e Guia W4R na Paisagem JPC.

• Reforço Estratégico: Consolidar a proposição de valor e a estratégia para a gestão sustentável da zona.

• Plano de Ação: Definir passos concretos e exequíveis para transitar do planeamento teórico para a intervenção no terreno.

 


A metodologia do workshop aposta numa dinâmica profundamente participativa e inclusiva. Em vez de sessões meramente expositivas, os participantes foram desafiados a aplicar ferramentas de análise à realidade local, tirando partido de processos e trabalhos já em curso na região.

Entre os principais resultados do evento, destacam-se:

✔  Capacidade técnica reforçada e assimilação prática da abordagem paisagística por parte dos intervenientes chave;

✔  Rica troca de experiências e lições aprendidas oriundas de outras zonas húmidas globais;

✔  Validação de uma proposta aprimorada de gestão integrada para a Paisagem Jeta–Pecixe–Cacheu;

✔  Elaboração de um Plano de Ação Imediato de 90 Dias, que orientará as primeiras intervenções prioritárias no terreno.

Com este esforço conjunto, a Guiné-Bissau dá mais um passo seguro rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável e harmonizado, capaz de atrair investimentos verdes e assegurar que as zonas húmidas de Jeta, Pecixe e Cacheu permaneçam fontes vivas de vida, proteção e sustentabilidade para as gerações futuras. 


quarta-feira, 22 de julho de 2026

Experiência Científica e de Investigação de Sete Países Costeiros Resulta em Livro Histórico

“Tartarugas Marinhas de África Ocidental” une conhecimento acadêmico
e conservação regional, destacando o papel estratégico do Arquipélago dos
Bijagós.

O Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas Dr. Alfredo Simão da Silva (IBAP), com sede em Bissau, assinala amanhã um marco fundamental para a conservação ambiental na sub-região. Com o lançamento oficial do livro “Tartarugas Marinhas de África Ocidental”, a instituição apresenta ao público e à comunidade científica uma obra monumental que sintetiza o conhecimento, a investigação e o esforço técnico de sete países costeiros.

Simbiose Científica e Conservação Regional
Fruto de uma colaboração direta no âmbito da Parceria Regional para a Conservação da
Zona Costeira e Marinha na África Ocidental (PRCM), a publicação resulta da simbiose perfeita entre a experiência de investigação de campo e a ciência de ponta. O livro consolida-se, assim, como um instrumento crucial para a investigação e preservação destas espécies marinhas ameaçadas.

“O lançamento do livro constitui uma demonstração exemplar do compromisso coletivo
da sub-região e reafirma a posição estratégica do Arquipélago dos Bijagós na
preservação global das tartarugas marinhas.”

O Papel do Arquipélago dos Bijagós Um dos pontos de maior relevância destacados na obra é a centralidade do Arquipélago dos Bijagós. Reconhecido internacionalmente pelo seu valor de biodiversidade, o arquipélago guineense assume-se como um santuário indispensável para a desova e sobrevivência de diversas espécies de tartarugas marinhas.

Com este lançamento, a cooperação técnica e científica entre os sete países da PRCM ganha uma ferramenta prática de consulta, renovando a determinação comum na salvaguarda do património natural costeiro da África Ocidental.

�� Destaques da Publicação:
• Título da obra: Tartarugas Marinhas de África Ocidental
• Instituição Promotora: Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas Dr. Alfredo Simão da Silva (IBAP - Bissau)
• Âmbito Regional: Sete países da Parceria Marinha e Costeira (PRCM)
• Foco de Preservação: Conservação das tartarugas marinhas e valorização do Arquipélago dos Bijagós 


quinta-feira, 7 de maio de 2026

Aíssa Regala de Barros eleita Presidente da RAMPAO e Justino Biai reconduzido à frente do PRCM à margem do 12º FOMACO na Mauritânia.

Bissau – A 12ª edição do Fórum Marinho e Costeiro da África Ocidental (FOMACO), realizada em abril último na Mauritânia, ficou marcada por importantes decisões institucionais para a governança costeira e marinha da região. À margem do encontro, foram anunciadas a eleição de Aíssa Regala de Barros como nova Vice Presidente da mesa de assembleia geral de Rede de Áreas Marinhas Protegidas da África Ocidental (RAMPAO) e a reeleição de Justino Biai como Presidente do Conselho de Administração do PRCM.

A eleição de Aíssa Regala de Barros atual Directora Geral do Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas IBAP, uma figura de referência na conservação marinha na Guiné-Bissau, reforça o papel das mulheres guineenses nos processos de decisão ambiental a nível regional. A sua eleição à frente da RAMPAO ocorre num momento crucial, em que a rede procura consolidar a gestão efetiva das áreas marinhas protegidas e acelerar a implementação do Acordo BBNJ sobre a biodiversidade em alto mar.

Já Justino Biai, antigo Diretor geral do IBAP da Guiné-Bissau, foi reconduzido por unanimidade ao cargo de Presidente do Conselho de Administração do PRCM – Parceria Regional para a Conservação da Zona Costeira e Marinha da África Ocidental. A recondução reconhece o seu trabalho na mobilização de parceiros e na promoção de uma cooperação sub-regional mais coesa para enfrentar os desafios da erosão costeira, da sobrepesca e das alterações climáticas.


As duas eleições foram saudadas pelos participantes do FOMACO como um sinal de fortalecimento da liderança da África Ocidental na proteção dos oceanos. O evento reuniu decisores políticos, cientistas, organizações da sociedade civil e parceiros técnicos para debater a gestão sustentável da faixa costeira, que abrange quase dois terços do espaço marinho da região.

Nomeações representam uma oportunidade para que a voz africana ganhe maior peso nas futuras instâncias de decisão ligadas ao Acordo BBNJ, entrado em vigor em janeiro de 2026.

O 12º FOMACO terminou com a adoção da Declaração de Nouakchott, que reafirma o compromisso dos Estados costeiros com uma economia azul sustentável e inclusiva.