terça-feira, 27 de outubro de 2026

Label, uma etiqueta que vale ouro "Património Mundial da UNESCO".

 Ainda em nossas mentes o anuncio de Bijagós como património da humanidade.

Há uma etiqueta que vale ouro. Diz: "Património Mundial da UNESCO".

 Desde 13 de Julho de 2025, essa etiqueta está colada nos Bijagós. “Omatí Minhô”. 88 ilhas e ilhêus, 33 mil habitantes, 870 mil aves migratórias, tartarugas que vêm desovar desde a época dos nossos avós. O IBAP lutou mais de 10 anos por essa etiqueta, depois de uma candidatura rejeitada. Finalmente, o mundo disse: este lugar é de todos, tem de ser protegido.

Mas o que acontece quando, por trás da etiqueta, se esconde o plástico?

Recebi a denúncia fui confirmar: está montado, dentro da própria Reserva da Biosfera dos Bijagós, uma fábrica de embalagem de água em sacos plásticos. Sacos de 50 francos. Os mesmos sacos proibidos pelo Decreto-Lei 16/2013. Os mesmos sacos que a Comissão Interministerial encerrou em Mansôa e Bissorã em junho ultimo, por "extrema insalubridade".

Agora implantam essa fábrica dentro do paraíso.



Unidade de produção e embalagem de agua no saco de plastico, situado em Bubaque na estrada em direção a Ancamona depois da entrada da comunidade de Bijante em Bubaque

Isto não é desenvolvimento. É um crime ambiental com Label.

Como é que se explica? Um hotel em Bissau já produz quilos de plástico por dia que acabam no mar. Um turista paga para ver um golfinho nos Urok e, no barco, bebe água num saco que daqui a uma hora vai boiar ao lado do golfinho. Se essa água for embalada DENTRO da reserva, estamos a transformar o próprio Património Mundial numa zona industrial de plástico de uso único.

A UNESCO foi clara no parecer: “o valor dos Bijagós está na sua integridade, nos ecossistemas costeiros e marinhos ligados, nas vasières e mangais fundamentais para a vida marinha”. Uma fábrica de plástico dentro desse perímetro viola todos os princípios da Reserva da Biosfera desde 1996, do Sítio RAMSAR desde 2014 e agora do Património Mundial.

E viola o sagrado. Nos Bijagós, há ilhas onde não se pode fazer barulho porque são sagradas. Há praias onde não se entra sem pedir licença aos espíritos. Como vamos pedir licença para instalar uma máquina que cospe 10 mil sacos por dia que vão demorar 450 anos a desaparecer?

A pergunta que não deixa calar é quem autorizou? Com que estudo de impacto ambiental? Com que consulta às comunidades bijagós que são as guardiãs do Omatí Minhô?

Não podemos usar o label da UNESCO para vender turismo ecológico lá fora e, cá dentro, autorizar o negócio do plástico que destrói o mesmo.

Se a fábrica continuar, não estamos só a poluir uma ilha. Estamos a rasgar o diploma que ganhámos em Paris, e que levou vida se não a juventude de muita gente para conseguir. E a UNESCO pode retirar o que deu. Já aconteceu com outros países que construíram dentro de sítios classificados.

O Bijagós não precisa de água em saco plástico. Precisa de água potável filtrada, de furos com energia solar, de garrafas de vidro retornáveis, como já se exige aos hotéis em Bissau.

O Label tem de significar algo. Património Mundial por fora, tem de ser Património Mundial por dentro. Sem plástico. Sem fábrica. Sem hipocrisia.

 

 

ATS; A Razão e a Verdade

Amadú Tidjane Sal

Jornalista especialista ambiental


sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Dakar acolhe encontro de alto nível sobre o desenvolvimento da aquacultura em África


A capital senegalesa, Dakar, acolheu de 07 a 08 de outubro de 2026 um encontro de alto nível sobre aquacultura. "Qual o contributo da Aquacultura para um crescimento inclusivo, um desenvolvimento sustentável e a criação de emprego em África" é o tema do referido encontro. A atividade é uma organização conjunta entre a Rede Africana das Instituições encarregadas do Desenvolvimento e da Promoção da Aquacultura (RAFAQUA) e a Rede Africana dos Institutos de Investigação Halieutica e das Ciências do Mar (RAFISMER) da COMHAFAT. 

Com o apoio da Conferência Ministerial sobre Cooperação Halieutica entre os Estados Africanos Ribeirinhos do Oceano Atlântico, o atelier contou com a participação de representantes dos 22 países membros da COMHAFAT, da CSRP, do Air Centre de Portugal e da OMPDA. O objetivo é partilhar o retorno de experiências com o intuito de favorecer uma sinergia e complementaridade entre os Estados membros da COMHAFAT através das redes RAFAQUA e RAFISMER. 


O secretário executivo da COMHAFAT, Sr. Taoufik El Ktiri, enalteceu e saudou a qualidade das apresentações e das intervenções que ilustram suficientemente a vontade de desenvolver para África uma aquacultura sustentável, competitiva, rentável e equitativa. 

Na sua alocução de abertura, o Diretor de Gabinete do Ministro das Pescas e da Economia Marítima do Senegal, Sr. Baba Ndiaye, congratulou-se primeiramente com a realização deste encontro de alto nível no Senegal. Face à diminuição das capturas de pesca aliada a um crescimento demográfico acentuado, defende que "a aquacultura aparece hoje como uma alternativa credível capaz de colmatar a lacuna e contribuir significativamente para o alcance dos objetivos de segurança alimentar, para a criação de empregos, de rendimentos e também para a luta contra a emigração clandestina". Para o efeito, defendeu que uma transição da pesca de captura para a pesca de criação se impõe a África. Contudo, segundo o Presidente da RAFISMER, Mohamed Najih, "o sucesso desta transição exige uma rutura com as abordagens isoladas. Precisamos de uma forte sinergia entre os decisores políticos, os institutos de investigação, o setor privado e os nossos parceiros de desenvolvimento. O Estado deve desempenhar o seu papel de facilitador, assegurando os investimentos, normalizando as zonas de produção e modernizando as infraestruturas de acompanhamento." 

Quanto ao Presidente da RAFAQUA, Sr. Samba Ka, também defendeu uma sinergia de ações em África. "Somos obrigados a trabalhar e a encontrar juntos soluções sustentáveis", declarou.



Texto e fotos de jornalista Talibuia Haidara traduzido.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

HISTÓRICO: Guiné-Bissau e Senegal criam primeira Reserva de Biosfera Transfronteiriça entre Cacheu e Baixa Casamansa.

Aliu Foto Diouf e Carlos Pinto Pereira 

A margem da 16ª Assembleia do CAFÉ ocorrido em Bissau de 28 à 30 setembro a Guiné-Bissau e o Senegal celebraram acordo que estabelece quadro jurídico para gestão integrada da zona costeira partilhada e prevê candidatura conjunta à UNESCO.

A Guiné-Bissau e o Senegal deram hoje um passo histórico para a conservação na África Ocidental. Foi assinado em Bissau, à margem da 16ª Assembleia Geral do CAFÉ, o Acordo de Cooperação para a Conservação e Gestão Integrada da Zona Costeira Transfronteiriça e criação da Reserva de Biosfera Transfronteiriça Cacheu – Baixa Casamansa.

O acordo foi afirmado entre o Ministério do Ambiente e da Ação Climática da Guiné-Bissau e o Ministério do Ambiente e da Transição Ecológica do Senegal.

O documento estabelece um quadro jurídico e institucional inédito entre os dois países para:

1. A criação da futura Reserva: Vai abranger, do lado guineense, a região de Cacheu e espaços naturais associados, e do lado senegalês, a Baixa Casamansa e as suas áreas protegidas. O acordo prevê um estudo de viabilidade, consultas com as populações locais e um zonamento conjunto. 

2. Proteção de ecossistemas vitais: O objetivo é assegurar a conservação de mangais, lodaçais, pradarias marinhas, habitats de aves aquáticas migratórias e locais de reprodução de tartarugas marinhas e peixes. 

3. Desenvolvimento sustentável: Não é só conservação. A iniciativa promove o desenvolvimento económico e humano sustentável, com participação direta das comunidades locais.

Entre as ações concretas previstas no acordo estão:

Fiscalização coordenada e patrulhas mistas;

Prevenção de atividades ilícitas (pesca ilegal, corte de mangal); 

Investigação e monitorização ecológica conjunta e intercâmbio de dados; 

Promoção de atividades económicas sustentáveis, ecoturismo e educação ambiental

Um dos pontos mais importantes é apresentação conjunta duma candidatura transfronteiriça única à UNESCO, para designação da reserva no âmbito do Programa sobre o Homem e a Biosfera (MAB). 


A preparação do processo contou com apoio técnico e financeiro do Projeto WACA - Investimento em Resiliência das Zonas Costeiras da África Ocidental e do seu Gabinete Regional de Apoio, com destaque para a contribuição do WACA ResIP 2 Guiné-Bissau.

Este acordo representa um novo marco na cooperação entre a Guiné-Bissau e o Senegal para a proteção dos ecossistemas costeiros partilhados e para um desenvolvimento sustentável em benefício das comunidades dos dois lados da fronteira. 

Com esta assinatura, Cacheu e Casamansa deixam de ser uma fronteira para se tornarem numa ponte de conservação.


terça-feira, 29 de setembro de 2026

Bissau capital africana da conservação: Guiné-Bissau acolhe 16ª Assembleia Geral do CAFÉ

Sob o lema «Paisagens Costeiras e Marinhas – Integrar Ecossistemas, Pessoas e Cultura», o maior encontro africano de Fundos de Conservação reúne em Bissau representantes de 23 países para discutir o financiamento sustentável da biodiversidade. 

 
A Guiné-Bissau marca mais um passo na história da conservação africana. De 28 de setembro a 2 de outubro de 2026, o país acolhe pela primeira vez a 16.ª Assembleia Geral do Consortium of African Funds for the Environment (CAFÉ) tem como anfitrião a Fundação BioGuiné, que foi escolhida na última assembleia em Kinshasa (2025) e eleita para o Comité Executivo do CAFÉ.

Durante cinco dias, a Assembleia vai reunir Fundos Fiduciários de Conservação, parceiros de desenvolvimento, doadores, investidores de impacto, instituições públicas e especialistas em conservação de todo o continente. 

O destaque do programa é a deslocação nos dias 1 e 2 de outubro ao Arquipélago dos Bijagós, incluindo o Parque Nacional de Orango, para contacto direto com os ecossistemas costeiros e marinhos e com as comunidades que deles dependem.

Uma rede de 650 milhões de dólares 

Criado em 2011, o CAFÉ é hoje a maior rede africana de Fundos Ambientais. Está presente em 23 países, gere mais de 650 milhões de dólares em dotações e apoia mais de 90 parques e reservas em África. 

A realização da assembleia em Bissau dá visibilidade internacional ao património natural excecional da Guiné-Bissau - mangais, zonas húmidas, estuários e Bijagós - e reforça o seu papel no diálogo africano sobre conservação.

Ao usar de palavra na cerimonia inaugural Charlotte Said, Presidente da Fundação BioGuiné foi direto ao problema central: "Sabemos que um dos principais obstáculos a uma conservação eficaz continua a ser o défice de financiamento. Em África, entre 88% e 94% das áreas protegidas dispunham de financiamento insuficiente." Para a presidente, o problema não é só a quantidade de dinheiro, mas a sua previsibilidade. 

"As áreas protegidas não podem ser geridas de forma eficaz segundo ciclos de financiamento de dois ou três anos. A fiscalização, a restauração dos ecossistemas e o acompanhamento das comunidades exigem continuidade." 

E deixou um recado: "A mobilização de financiamento internacional é essencial, mas não pode substituir um compromisso público nacional sólido e duradouro". 

Já a representante do Banco Mundial no país Rosa Brito, destacou a importância da Guiné-Bissau na conservação: 

"O país abriga um dos maiores ecossistemas de mangais da África Ocidental, e o Arquipélago dos Bijagós, Reserva da Biosfera da UNESCO, é uma das zonas costeiras de maior importância ecológica do continente." 

Rosa Brito anunciou que o espírito de cooperação regional está concretizado no país através do WACA ResIP 2, com 30 milhões de dólares de financiamento da Associação Internacional de Desenvolvimento, para reforçar a gestão das áreas protegidas costeiras e apoiar meios de subsistência mais resilientes. Apontou também para o futuro: conversões de dívida em favor da natureza, obrigações azuis e créditos de biodiversidade como novas formas de mobilizar capital privado.

Por seu turno o presidente de CAFÉ Théophile, Zognou afirmou num bom frances que "a natureza não é um cenário do desenvolvimento. Ela é o fundamento sobre o qual assenta o desenvolvimento."

Lembrou que o défice global de financiamento para a biodiversidade é de 700 mil milhões de dólares por ano e que é preciso mobilizar pelo menos 200 mil milhões até 2030.

"Quando financiamos a natureza, financiamos a resiliência. Quando protegemos os ecossistemas, protegemos os meios de subsistência. Quando investimos nas comunidades, investimos na conservação." 

E terminou com um apelo: 

"A África não deve ser vista apenas como beneficiária do financiamento da conservação, mas como parceira, inovadora e líder." 

A 16ª Assembleia do CAFÉ promete assim deixar Bissau não só como anfitriã, mas como exemplo de como integrar ecossistemas, pessoas e cultura.


quinta-feira, 17 de setembro de 2026

DG DA RÁDIO ALTERNAG REPRESENTA REDE LUSO-GUINEENSE NO CONGRESSO INTERNACIONAL CONIÚNICA

A Rede Luso-Guineense (Rede Luso-GB) participou no CONGRESSO INTERDISCIPLINAR INTERNACIONAL - CONIÚNICA, realizado de 08 a 11 de setembro de 2026 em formato híbrido, no âmbito do acordo de cooperação institucional entre a UniÚnica e a Rede Luso-GB.

A instituição foi representada por Amadú Tidjane Sal, Director-Geral da Rádio Alternag, membro da Rede Luso-GB, Polo de Competência em Agroecologia, (ODZH) Embaixador Lixo Zero na Guiné-Bissau e membro do observatório de mídia para pesca sustentável e economia azul na África.

Para além da participação nos trabalhos do congresso, Amadú Tidjane Sal teve o privilégio de apresentar comunicação oral no GT 4 – Meio Ambiente, Sustentabilidade e Mudanças Climáticas, com o tema “EDUCAÇÃO AMBIENTAL E RESILIÊNCIA CLIMÁTICA NA GUINÉ-BISSAU: LITERACIA CLIMÁTICA, AGROECOLOGIA E PROTEÇÃO DE ECOSSISTEMAS”.

O trabalho defende que a literacia climática, a agroecologia e a proteção de mangais, bolanhas e florestas são pilares para a resiliência do país face à crise climática, propondo uma educação ambiental ancorada na rádio comunitária, nas línguas nacionais e nos saberes locais.

Esta participação reforça o compromisso da Rede Luso-GB em projetar quadros guineenses e levar soluções locais para o debate científico global.


Bissau, 17 de setembro de 2026

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Marco Histórico nas Telecomunicações do país: Comité Ad Hoc Valida Primeiros Estudos de Impacto Ambiental da Orange Bissau.

É a primeira vez que o setor cumpre as exigências da Lei de Avaliação de Impacto Ambiental desde 2010. Projetos abrangem antenas radioelétricas e expansão de internet de alta velocidade por fibra ótica (FTTH).

 Publicado por: Redação Ambiente GB  |  📍 Bissau  |  📅 1 de Agosto de 2026

 

Realizou-se esta sexta-feira, 31 de julho, a sessão do Comité ad hoc responsável pela análise e validação de dois estudos ambientais e sociais estratégicos promovidos pela operadora Orange Bissau. O encontro marca um avanço inédito no cumprimento das normas de sustentabilidade ambiental e regulação do setor de telecomunicações na Guiné-Bissau.

Estudos de Elevada Relevância Estratégica

Durante a reunião, foram apresentados e submetidos a avaliação rigorosa os resultados de dois documentos vitais para a expansão e modernização das infraestruturas de comunicação do país:

• Estudo de Gestão Ambiental e Social das Infraestruturas de Transmissão Radioelétrica: Focado na instalação, operação e mitigação de impactos das antenas de comunicação;

• Estudo de Gestão Ambiental e Social do Projeto FTTH (Fiber to the Home): Destinado a disciplinar a expansão da rede de internet de alta velocidade por fibra ótica diretamente para residências e empresas.

A validação destes estudos constitui um marco histórico para a Guiné-Bissau. Trata-se da primeira vez que são efetivamente realizados e aprovados estudos de avaliação de impacto ambiental no setor das telecomunicações desde a promulgação da Lei n.º 10/2010, de 24 de setembro, que estabelece o regime jurídico da Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) no país.

Reações e Compromisso com a Conformidade Legal

Após a aprovação formal dos documentos, Emanuel Pinto Lopes, Chefe de Serviços Regulamentares da Orange Bissau, concedeu declarações ao órgão Ambiente GB. O responsável expressou grande satisfação com os resultados alcançados e enalteceu o empenho da operadora em atuar em estrita conformidade com a legislação ambiental vigente no país.

“A aprovação destes estudos demonstra o compromisso firme da Orange Bissau em operar alinhada com as exigências legais e com os mais altos padrões de sustentabilidade ambiental.” — Emanuel Pinto Lopes, Chefe de Serviços Regulamentares



Por sua vez, Welenam da Silva, Director Geral da Autoridade de Avaliação Ambiental Competente (AAAC / 3AC), garantiu que o órgão regulador manterá uma colaboração contínua com a operadora para monitorizar e mitigar eventuais impactos ambientais. O diretor ressaltou ainda a atitude proativa e a total disponibilidade demonstrada pela própria Orange Bissau para colaborar de forma transparente com as autoridades ambientalistas.





📌 Resumo dos Destaques:

• Evento: Reunião do Comité Ad Hoc para Validação Ambiental

• Promotora: Orange Bissau

• Órgão Regulador: Autoridade de Avaliação Ambiental Competente (AAAC / 3AC)

• Legislação de Referência: Lei n.º 10/2010 de 24 de Setembro (Regime Jurídico da AIA)

• Áreas Cobertas: Infraestruturas de Antenas Radioelétricas e Expansão da Fibra Ótica Residencial (FTTH)

 

 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Projeto ReLiMa de Combate ao Lixo Marinho É Lançado na Guiné-Bissau pela ONG Tiniguena para Proteger Ecossistemas Insulares.

 Executada pela ONG Tiniguena e financiada pela Alemanha, a iniciativa sub-regional abrange a Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe ao longo de cinco anos. 

O acúmulo de resíduos plásticos e poluição nas zonas insulares e costeiras da Guiné-Bissau representa uma ameaça direta e grave para os ecossistemas marinhos do país. A alertar para a dimensão do problema, a ONG Tiniguena - Esta Terra é Nossa realizou nesta terça-feira, 28 de julho de 2026, o workshop de arranque do projeto sub-regional ReLiMa (Redução de Lixo Marinho), uma iniciativa com duração de cinco anos orientada para o combate à poluição no oceano.

“A quantidade de resíduos que chega às zonas insulares da Guiné-Bissau representa uma ameaça séria para os ecossistemas marinhos e costeiros do país. O combate à poluição marinha exige uma ação conjunta e permanente entre todos os setores da sociedade.”

              — Erikson Mendonça, Coordenador de Programa da ONG Tiniguena

Ação Conjunta e Modelos Sustentáveis de Gestão

Em declarações aos jornalistas à margem da abertura do encontro, Erikson Mendonça sublinhou que a eficácia na gestão de resíduos e na proteção das águas marinhas depende do reforço do diálogo contínuo entre instituições públicas, organizações da sociedade civil, comunidades locais e demais atores do setor.

Financiado pelo Ministério Federal da Alemanha, o projeto ReLiMa é uma iniciativa sub-regional desenvolvida em três Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS) da África Lusófona: Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. O objetivo central ao longo dos seus cinco anos de execução é estabelecer modelos sustentáveis de prevenção, recuperação e reciclagem de resíduos marinhos.

Compromisso Governamental com a Preservação

Presente na cerimónia em representação do Ministério do Ambiente e Ação Climática, Per Infali Cassamá reafirmou o total empenho e apoio do Governo guineense às ações voltadas para a conservação da biodiversidade marinha e restauração do ambiente costeiro.

O responsável destacou que o projeto ReLiMa surge como uma resposta estratégica e oportuna, não só para diminuir o impacto direto dos detritos no ecossistema aquático, mas também para promover a capacitação e sensibilização contínua das comunidades insulares, assegurando a sustentabilidade dos recursos naturais para o futuro da nação. 



fotografias cortesia da ONG Tiniguena,