quinta-feira, 30 de julho de 2026

Projeto ReLiMa de Combate ao Lixo Marinho É Lançado na Guiné-Bissau pela ONG Tiniguena para Proteger Ecossistemas Insulares.

 Executada pela ONG Tiniguena e financiada pela Alemanha, a iniciativa sub-regional abrange a Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe ao longo de cinco anos. 

O acúmulo de resíduos plásticos e poluição nas zonas insulares e costeiras da Guiné-Bissau representa uma ameaça direta e grave para os ecossistemas marinhos do país. A alertar para a dimensão do problema, a ONG Tiniguena - Esta Terra é Nossa realizou nesta terça-feira, 28 de julho de 2026, o workshop de arranque do projeto sub-regional ReLiMa (Redução de Lixo Marinho), uma iniciativa com duração de cinco anos orientada para o combate à poluição no oceano.

“A quantidade de resíduos que chega às zonas insulares da Guiné-Bissau representa uma ameaça séria para os ecossistemas marinhos e costeiros do país. O combate à poluição marinha exige uma ação conjunta e permanente entre todos os setores da sociedade.”

              — Erikson Mendonça, Coordenador de Programa da ONG Tiniguena

Ação Conjunta e Modelos Sustentáveis de Gestão

Em declarações aos jornalistas à margem da abertura do encontro, Erikson Mendonça sublinhou que a eficácia na gestão de resíduos e na proteção das águas marinhas depende do reforço do diálogo contínuo entre instituições públicas, organizações da sociedade civil, comunidades locais e demais atores do setor.

Financiado pelo Ministério Federal da Alemanha, o projeto ReLiMa é uma iniciativa sub-regional desenvolvida em três Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS) da África Lusófona: Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. O objetivo central ao longo dos seus cinco anos de execução é estabelecer modelos sustentáveis de prevenção, recuperação e reciclagem de resíduos marinhos.

Compromisso Governamental com a Preservação

Presente na cerimónia em representação do Ministério do Ambiente e Ação Climática, Per Infali Cassamá reafirmou o total empenho e apoio do Governo guineense às ações voltadas para a conservação da biodiversidade marinha e restauração do ambiente costeiro.

O responsável destacou que o projeto ReLiMa surge como uma resposta estratégica e oportuna, não só para diminuir o impacto direto dos detritos no ecossistema aquático, mas também para promover a capacitação e sensibilização contínua das comunidades insulares, assegurando a sustentabilidade dos recursos naturais para o futuro da nação. 



fotografias cortesia da ONG Tiniguena,

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Resiliência nas Zonas Húmidas: Programa W4R Reúne Atores Locais para Proteger a Paisagem Jeta–Pecixe–Cacheu

Iniciativa global da Wetlands Internacional apoia o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar e a economia azul através de um workshop participativo de planeamento integrado.

 Reportagem: Equipa Editorial «O Ambiente GB»  |  📍 Guiné-Bissau  |  🌿 Parceria: Wetlands Internacional & Sida Global.

foto O Ambiente GB em maré baixa

Nas zonas costeiras e estuarinas da Guiné-Bissau, a preservação do meio ambiente é indissociável da sobrevivência e do bem-estar das populações locais. É neste cenário de grande riqueza ecológica e vulnerabilidade climática que se consolida o programa internacional Wetlands for Resilience (W4R), uma iniciativa global liderada pela Wetlands Internacional com o apoio financeiro da Sida Global.

Uma Visão Global com Ação Local em Jeta–Pecixe–Cacheu

Com uma meta ambiciosa traçada até 2030, o programa W4R decorre em três países estratégicos de África e da Ásia. O grande propósito é expandir paisagens de zonas húmidas saudáveis, bem geridas e biodiversas, impulsionando a resiliência climática e a sustentabilidade ambiental, social e económica. A primeira fase operacional da iniciativa decorre entre 2023 e 2026.

Em território guineense, as atenções do programa centram-se na emblemática Paisagem Jeta–Pecixe–Cacheu (JPC). Nesta região, o W4R apoia a criação e consolidação de uma Parceria Paisagística focada em fortalecer a segurança alimentar, dinamizar uma economia azul resiliente e implementar ações concretas de restauração ecológica dos meios de subsistência comunitários.

“O W4R atua como um catalisador de boas práticas: une líderes sectoriais, autoridades regionais e tradicionais numa abordagem integrada que transforma a gestão ambiental em segurança e prosperidade para as comunidades.”

Workshop Interativo: Da Visão Comum à Ação Concreta

Como passo decisivo na construção dessa visão partilhada, a Wetlands Internacional promove um workshop interativo de dois dias inteiramente dedicado à abordagem de paisagem. O encontro juntou os principais atores da região de Jeta–Pecixe–Cacheu e contou com a facilitação técnica especializada de peritos do Escritório Global da Wetlands Internacional.

🎯 Objetivos Estratégicos do Encontro:

• Compreensão Partilhada: Fortalecer a aplicação prática do Toolkit e Guia W4R na Paisagem JPC.

• Reforço Estratégico: Consolidar a proposição de valor e a estratégia para a gestão sustentável da zona.

• Plano de Ação: Definir passos concretos e exequíveis para transitar do planeamento teórico para a intervenção no terreno.

 


A metodologia do workshop aposta numa dinâmica profundamente participativa e inclusiva. Em vez de sessões meramente expositivas, os participantes foram desafiados a aplicar ferramentas de análise à realidade local, tirando partido de processos e trabalhos já em curso na região.

Entre os principais resultados do evento, destacam-se:

✔  Capacidade técnica reforçada e assimilação prática da abordagem paisagística por parte dos intervenientes chave;

✔  Rica troca de experiências e lições aprendidas oriundas de outras zonas húmidas globais;

✔  Validação de uma proposta aprimorada de gestão integrada para a Paisagem Jeta–Pecixe–Cacheu;

✔  Elaboração de um Plano de Ação Imediato de 90 Dias, que orientará as primeiras intervenções prioritárias no terreno.

Com este esforço conjunto, a Guiné-Bissau dá mais um passo seguro rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável e harmonizado, capaz de atrair investimentos verdes e assegurar que as zonas húmidas de Jeta, Pecixe e Cacheu permaneçam fontes vivas de vida, proteção e sustentabilidade para as gerações futuras. 


quarta-feira, 22 de julho de 2026

Experiência Científica e de Investigação de Sete Países Costeiros Resulta em Livro Histórico

“Tartarugas Marinhas de África Ocidental” une conhecimento acadêmico
e conservação regional, destacando o papel estratégico do Arquipélago dos
Bijagós.

O Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas Dr. Alfredo Simão da Silva (IBAP), com sede em Bissau, assinala amanhã um marco fundamental para a conservação ambiental na sub-região. Com o lançamento oficial do livro “Tartarugas Marinhas de África Ocidental”, a instituição apresenta ao público e à comunidade científica uma obra monumental que sintetiza o conhecimento, a investigação e o esforço técnico de sete países costeiros.

Simbiose Científica e Conservação Regional
Fruto de uma colaboração direta no âmbito da Parceria Regional para a Conservação da
Zona Costeira e Marinha na África Ocidental (PRCM), a publicação resulta da simbiose perfeita entre a experiência de investigação de campo e a ciência de ponta. O livro consolida-se, assim, como um instrumento crucial para a investigação e preservação destas espécies marinhas ameaçadas.

“O lançamento do livro constitui uma demonstração exemplar do compromisso coletivo
da sub-região e reafirma a posição estratégica do Arquipélago dos Bijagós na
preservação global das tartarugas marinhas.”

O Papel do Arquipélago dos Bijagós Um dos pontos de maior relevância destacados na obra é a centralidade do Arquipélago dos Bijagós. Reconhecido internacionalmente pelo seu valor de biodiversidade, o arquipélago guineense assume-se como um santuário indispensável para a desova e sobrevivência de diversas espécies de tartarugas marinhas.

Com este lançamento, a cooperação técnica e científica entre os sete países da PRCM ganha uma ferramenta prática de consulta, renovando a determinação comum na salvaguarda do património natural costeiro da África Ocidental.

�� Destaques da Publicação:
Título da obra: Tartarugas Marinhas de África Ocidental
Instituição Promotora: Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas Dr. Alfredo Simão da Silva (IBAP - Bissau)
Âmbito Regional: Sete países da Parceria Marinha e Costeira (PRCM)
Foco de Preservação: Conservação das tartarugas marinhas e valorização do Arquipélago dos Bijagós 


quinta-feira, 7 de maio de 2026

Aíssa Regala de Barros eleita Presidente da RAMPAO e Justino Biai reconduzido à frente do PRCM à margem do 12º FOMACO na Mauritânia.

Bissau – A 12ª edição do Fórum Marinho e Costeiro da África Ocidental (FOMACO), realizada em abril último na Mauritânia, ficou marcada por importantes decisões institucionais para a governança costeira e marinha da região. À margem do encontro, foram anunciadas a eleição de Aíssa Regala de Barros como nova Vice Presidente da mesa de assembleia geral de Rede de Áreas Marinhas Protegidas da África Ocidental (RAMPAO) e a reeleição de Justino Biai como Presidente do Conselho de Administração do PRCM.

A eleição de Aíssa Regala de Barros atual Directora Geral do Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas IBAP, uma figura de referência na conservação marinha na Guiné-Bissau, reforça o papel das mulheres guineenses nos processos de decisão ambiental a nível regional. A sua eleição à frente da RAMPAO ocorre num momento crucial, em que a rede procura consolidar a gestão efetiva das áreas marinhas protegidas e acelerar a implementação do Acordo BBNJ sobre a biodiversidade em alto mar.

Já Justino Biai, antigo Diretor geral do IBAP da Guiné-Bissau, foi reconduzido por unanimidade ao cargo de Presidente do Conselho de Administração do PRCM – Parceria Regional para a Conservação da Zona Costeira e Marinha da África Ocidental. A recondução reconhece o seu trabalho na mobilização de parceiros e na promoção de uma cooperação sub-regional mais coesa para enfrentar os desafios da erosão costeira, da sobrepesca e das alterações climáticas.


As duas eleições foram saudadas pelos participantes do FOMACO como um sinal de fortalecimento da liderança da África Ocidental na proteção dos oceanos. O evento reuniu decisores políticos, cientistas, organizações da sociedade civil e parceiros técnicos para debater a gestão sustentável da faixa costeira, que abrange quase dois terços do espaço marinho da região.

Nomeações representam uma oportunidade para que a voz africana ganhe maior peso nas futuras instâncias de decisão ligadas ao Acordo BBNJ, entrado em vigor em janeiro de 2026.

O 12º FOMACO terminou com a adoção da Declaração de Nouakchott, que reafirma o compromisso dos Estados costeiros com uma economia azul sustentável e inclusiva.

domingo, 3 de maio de 2026

A OMPDA apela aos Estados africanos para acelerarem a sua adesão ao Acordo BBNJ para uma governança equitativa dos oceanos.

O Observatório dos Media para uma Pesca e uma Economia Azul Sustentável em África (OMPDA) lança um apelo urgente ao conjunto dos Estados africanos para acelerarem a sua adesão ao Acordo internacional sobre a biodiversidade marinha das zonas que não se encontram sob jurisdição nacional (BBNJ), que entrou em vigor a 17 de janeiro de 2026.
Este acordo histórico constitui o primeiro quadro jurídico internacional vinculativo dedicado à proteção e à utilização sustentável da biodiversidade em alto mar. Marca uma etapa decisiva rumo a uma melhor governança dos oceanos, cobrindo cerca de dois terços da sua superfície. A OMPDA sublinha que o Acordo BBNJ oferece oportunidades importantes para os países africanos, nomeadamente: 
 - um acesso mais equitativo aos recursos genéticos marinhos; 
- um reforço das capacidades científicas e técnicas; 
- um melhor acesso aos financiamentos internacionais; 
- uma participação acrescida nas decisões estratégicas sobre a governança dos oceanos.
Apesar do papel determinante desempenhado pelos negociadores africanos na elaboração deste acordo, o nível de ratificação no continente permanece ainda limitado.
Esta situação corre o risco de reduzir a influência de África nas futuras instâncias decisórias ligadas à implementação do tratado.

Neste contexto, a OMPDA:
- exorta os Estados Africanos a finalizarem rapidamente os seus procedimentos de ratificação;
- encoraja uma apropriação nacional dos desafios ligados ao Acordo BBNJ;
- apela a uma coordenação regional reforçada a fim de levar uma voz africana unificada.

A Organização reafirma igualmente o seu compromisso em acompanhar os atores públicos, os media e a sociedade civil através de iniciativas de sensibilização e de reforço de capacidades, nomeadamente através de ateliês regionais dedicados à implementação do acordo.
«África não pode ser espectadora na governança dos oceanos. Deve ser um ator central», sublinha o Presidente da OMPDA.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

A Costa do Marfim acolhe a 13ª edição do FOMACO

 

PRCM/Costa de Marfim 

Caíu o pano sobre a 12ª edição do Fórum Regional Marinho e Costeiro (FOMACO). Estes quatro dias de intercâmbio entre decisores políticos, parlamentares, cientistas, ONG, comunidades locais, atores do setor privado e financiadores foram concluídos com a «Declaração de Nouakchott» para reforçar a resiliência das zonas costeiras, incentivar a economia azul e favorecer o intercâmbio entre governos, cientistas e sociedade.

Um dos factos marcantes do FOMACO 2026 é a assinatura de um acordo-quadro entre a Parceria Regional para a Conservação da Zona Costeira e Marinha na África Ocidental (PRCM) e a Costa do Marfim. O acordo, que visa o reforço da gestão sustentável das zonas costeiras na Costa do Marfim, foi assinado entre o Diretor Executivo do PRCM, Ahmed Senhoury, e o ministro marfinense do Ambiente e da Transição Ecológica, Abou Bamba. Entre outros, visa a conservação da biodiversidade marinha e costeira, a melhoria da gestão das áreas marinhas protegidas, assim como a luta contra ameaças maiores como os derrames de hidrocarbonetos e a poluição plástica. Interpelado, o Ministro marfinense informou: «Este fórum é um espaço único de diálogo. Permite à Costa do Marfim inscrever-se plenamente numa dinâmica regional onde a proteção das nossas costas e dos nossos oceanos é essencial para uma economia azul sustentável».

Segundo o Diretor Executivo, «através desta parceria, o PRCM reafirma o seu compromisso com soluções concretas e sustentáveis na África Ocidental. Face às pressões crescentes sobre os ecossistemas, esta colaboração ilustra a força da cooperação regional: partilhar a experiência, unir os esforços e construir um futuro sustentável para as gerações vindouras».

Além disso, o FOMACO 2026 serviu igualmente de quadro para a assinatura, entre o Banco Mundial e a República Islâmica da Mauritânia, do acordo de financiamento no valor de 50,3 milhões de euros, ou seja, cerca de 21 mil milhões de antigas ouguiyas (MRO). Assinado entre o ministro mauritano dos Assuntos Económicos e do Desenvolvimento, Abdallah Ould Souleymane Ould Cheikh Sidiya, e o Representante Residente do Banco Mundial na Mauritânia, Ibrahima Diouf, este importante acordo enquadra-se no programa de gestão do litoral da África Ocidental. Este financiamento, concedido pela Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), visa reforçar de forma duradoura a proteção do litoral mauritano face aos efeitos das alterações climáticas, da erosão costeira, das inundações, da degradação dos ecossistemas marinhos e lagunares, bem como da vulnerabilidade económica e social das populações costeiras. O programa prevê igualmente apoiar o desenvolvimento de setores económicos estratégicos tais como a pesca sustentável, o turismo costeiro, os serviços logísticos e as cadeias de valor ligadas à economia azul.

O Programa de Gestão do Litoral da África Ocidental WACA (West Africa Coastal Areas) abrange vários países da África Ocidental, situados entre a Mauritânia e o Gabão. Este mecanismo de cooperação regional visa promover uma gestão concertada e sustentável dos espaços costeiros, confrontados com desafios comuns, nomeadamente a subida do nível do mar, as pressões demográficas, a perda de biodiversidade e as vulnerabilidades económicas acrescidas.

Encontro marcado na Costa do Marfim em 2028 para a 13ª edição do Fórum Regional Marinho e Costeiro.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Zonas Húmidas, Biodiversidade e Conservação: ODZH reforça educação ambiental junto dos estudantes

Organização para a Defesa e Desenvolvimento das Zonas Húmidas (ODZH) realizou ontem 22 de abril, uma palestra dirigida aos alunos da Escola Normal Superior Técnico, em Bissau, sob o tema “Zonas Húmidas, Biodiversidade e Conservação”. A iniciativa enquadra-se no programa de educação e comunicação ambiental da organização, que visa sensibilizar as comunidades, sobretudo os jovens, para a importância da preservação dos ecossistemas.
Durante a sessão, foram abordadas as funções essenciais das zonas húmidas na manutenção da biodiversidade, no equilíbrio ambiental e na garantia de recursos naturais para as populações. Os estudantes tiveram ainda a oportunidade de refletir sobre os desafios que ameaçam estes ecossistemas e sobre a necessidade de adoção de práticas sustentáveis para a sua conservação. Ainda fizeram uma pequena visita na Granja de Pessubé, uma das zonas húmidas importantes da capital Bissau.
Através deste tipo de atividades, a ODZH tem vindo a desempenhar um papel fundamental na consciencialização da população, com especial enfoque na juventude e crianças. As ações educativas contribuem para formar cidadãos mais informados, responsáveis e comprometidos com a proteção do meio ambiente, incentivando uma mudança de atitudes e comportamentos.
Com iniciativas como esta, a ODZH reafirma o seu compromisso com a promoção da educação ambiental e com o envolvimento ativo das comunidades na defesa das zonas húmidas, reforçando a importância de preservar estes ecossistemas para as gerações presentes e futuras.

por equipa de comunicação de ODZH