O que acontece com as pessoas quando os animais desaparecem?
Cada vez mais, os cientistas descobrem que a resposta não é abstrata — ela se manifesta em dados de tráfego, registros hospitalares e crises de saúde pública.
O projeto "Espécies que nos Salvam", apoiado pelo Pulitzer Center e publicado pelo The Washington Post, explora o crescente corpo de pesquisas que revelam como a biodiversidade sustenta a saúde humana. Em todos os continentes, repórteres e pesquisadores estão descobrindo conexões ocultas entre a perda da vida selvagem e a sobrevivência humana — parte de uma abordagem interdisciplinar conhecida como Iniciativa Uma Só Saúde, que reconhece que o bem-estar das pessoas, dos animais e dos ecossistemas está interligado.
No Meio-Oeste dos EUA e no Canadá, novas pesquisas sobre lobos-cinzentos mostram que sua recuperação traz benefícios que vão muito além da conservação. Ao controlar as populações de cervos e influenciar a forma como esses animais se deslocam pela paisagem, os lobos reduzem os acidentes de carro, prevenindo ferimentos e salvando vidas. Essas descobertas acrescentam uma nova dimensão aos debates atuais sobre a proteção dos lobos nos Estados Unidos, ilustrando o que está em jogo quando espécies começam a desaparecer.
No Panamá, a história começa com os sapos. Uma doença fúngica mortal, intensificada pelas mudanças climáticas sapos, desapareceu também uma forma crucial de controle natural de mosquitos: os girinos, que se alimentam das larvas dos mosquitos. Sem os girinos para se alimentarem das larvas, os casos de doenças transmitidas por mosquitos, como a malária, aumentaram drasticamente, inclusive em regiões próximas ao Darién Gap.
A Índia oferece outro exemplo gritante.
Depois que milhões de abutres morreram por ingerir analgésicos veterinários, carcaças de animais se acumularam por todo o campo. Uma reação em cadeia ecológica se seguiu: as populações de cães selvagens explodiram, levando a um aumento nas infecções por raiva e dezenas de milhares de mortes humanas. O excesso de carcaças de gado também contaminou fontes de água potável. O que começou como um colapso ecológico se transformou em uma crise de saúde pública em todo o país.
“Quando colocamos outras espécies em perigo, colocamos a nós mesmos em perigo”, escrevem os bolsistas Mark Johnson e Saumya Khandelwal. Explore o projeto Espécies que nos Salvam, com fotografias fascinantes (duas imagens estão em nossa seção “Um Ano em Fotos”) e 50 cartões ilustrados para ajudar as pessoas a aprenderem mais sobre esses animais e sua importância para nossa saúde e sobrevivência.
Por/Sarah Swan
DIRETOR DE COMUNICAÇÕES E ENGAJAMENTO DO PÚBLICO











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